Política Veto da Anvisa à Sputnik foi político, diz chefe do comitê científico do Consórcio Nordeste

28 de abril de 2021, às 14:17

O coordenador do comitê científico do Consórcio Nordeste, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Sergio Machado Rezende, afirmou ao portal UOL não ter dúvidas de que a decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de vetar a importação da vacina russa Sputnik foi política e que os argumentos usados para isso foram “surpreendentes”, “absurdos”.

“Nós estamos absolutamente convencidos de que a motivação é política! E temos duas razões: uma delas é que ela vem da Rússia, e o presidente deve achar que é um país comunista; e o outro é que a iniciativa de comprar essa vacina foi dos governadores do Nordeste, e desde o começo existe esse problema entre o presidente e o Nordeste, onde ele teve uma menor votação que outras regiões”, declarou Rezende em entrevista ao repórter Carlos Madeiro.

Segundo Rezende, a Anvisa já aprovou duas vacinas que têm adenovírus em sua composição: a de Oxford e a Johnson & Johnson. Para ele, o argumento levantado foi uma surpresa. “A vacina do laboratório Gamaleya também o utiliza como vetores virais. No caso, usa dois adenovírus cujo papel é criar imunidade nas pessoas. A decisão trouxe uma informação que surpreendeu todos especialistas na área: a de que o adenovírus usado pela Sputnik é replicante, ou seja, ela replicaria nas pessoas, quando o papel do vírus é exatamente o oposto. As pessoas não sabem de onde a Anvisa tirou essa informação”, argumentou na entrevista ao UOL.

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