Entrevistas Entrevista: Infectologista esclarece sobre vacina contra a Covid-19 e ajuda no combate a fake news

13 de abril de 2021, às 12:01

Até a noite desta segunda-feira (12), Salvador registrava a aplicação da 1ª dose da vacina contra a Covid-19 em 446.920 pessoas, segundo a Prefeitura Municipal (https://vacinometro.saude.salvador.ba.gov.br/). Enquanto a imunização avança, surgem dúvidas sobre intervalo entre as doses, doação de sangue x vacina, imunização contra gripe e indicação da vacina para quem já se infectou com o novo coronavírus, entre outras.

Com base em questões comumente apresentadas pela população e com o objetivo de esclarecer e ajudar a combater a propagação de fake news, a Infectologista do Hospital Cárdio Pulmonar e especialista em vacinas Jacy Andrade esclarece essas e outras questões e defende que a vacina é, sem dúvida, a melhor arma para o combater uma doença viral.

“É nossa melhor arma contra a pandemia. Se você está entre os grupos elegíveis, vacine-se! E se já tomou a primeira dose, fique atento ao calendário para a segunda dose”, diz a infectologista, lembrando que os vacinados devem continuar as medidas de prevenção: uso de máscara, distanciamento social e higiene de mãos.

Qual o tempo a ser observado entre a vacina contra Covid-19 e outras vacinas?

Jacy Andrade – Quem tomou vacina contra outras doenças, inclusive gripe, deve fazer um intervalo de 14 dias para receber a vacina contra Covid-19. O mesmo intervalo deve ser respeitado entre tomar primeiro a vacina contra a Covid-19 e realizar outra vacinação, exceto no uso emergencial das vacinas contra raiva ou tétano, por exemplo.

Quem foi vacinado contra a Covid-19 pode doar sangue?

Jacy Andrade – Sim, é possível doar, respeitando os respectivos períodos, após cada dose. Após a Sinovac/Butantan, a doação deve ser feita a partir de 48h. Se a vacina foi a AstraZeneca/Fiocruz, a doação de sangue deve ser evitada até 7 dias depois da imunização.

Quem já teve infecção pelo novo coronavírus confirmada deve ser vacinado contra a Covid-19?

Jacy Andrade – Sim. Quem já teve infecção sintomática ou assintomática para Covid-19 e/ou tem anticorpos para Sars-Cov-2 pode e deve se vacinar.

Quem está com febre deve tomar a vacina?
Jacy Andrade – Quem estiver com doença febril aguda, moderada ou grave deve adiar a vacinação até resolver o quadro clínico para não atribuir à vacina as manifestações de outra doença.

E qual a orientação para os alérgicos?

Jacy Andrade – Se a pessoa tem alergia a algum componente de uma vacina, não deve usá-la. Nas vacinas disponíveis, há vários componentes, mas ovo não faz parte de nenhum dos imunizantes atualmente aplicados no Brasil contra a Covid-19. Sendo assim, até o momento, a alergia a ovo não é contraindicação para se vacinar.

Nos componentes das duas vacinas disponíveis até agora (Coronavac/Butantan e Oxford/AstraZeneca/Fiocruz), não há ovo, coco, anti-inflamatório, nem dipirona.

Quem tomou a vacina contra a Covid-19 pode transmitir Sars_Cov-2?

Jacy Andrade – Nenhuma vacina protege 100%. Quem tomou a vacina pode se infectar, mas se espera que tenha formas mais leves do que quem não se vacinou. Por isso, uma vez que se contamine, pode também transmitir o vírus, inclusive para pessoas que ainda não foram imunizadas e têm risco de desenvolver a forma grave da doença.

A vacina da Oxford pode ser tomada em única dose?

Jacy Andrade – A vacina da Oxford é recomendada pelo fabricante e pelo Ministério da Saúde em duas doses, com intervalo de 12 semanas. Não há informação dos órgãos oficiais, até o momento, que haverá aplicação em esquemas reduzidos.

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