Brasil Após repercussão, Ministro da Educação desiste de retorno das aulas presenciais para institutos federais em janeiro

02 de dezembro de 2020, às 14:21

O ministério da Educação irá revogar a portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU) que determinava o retorno das aulas presenciais nos institutos federais a partir de 4 de janeiro de 2021. O ministro Milton Ribeiro (Educação) afirmou à CNN Brasil que irá abrir uma consulta pública para ouvir o mundo acadêmico antes de tomar nova decisão.

“Quero abrir uma consulta pública para ouvir o mundo acadêmico. As escolas não estavam preparadas, faltava planejamento […] A sociedade está preocupada, quero ser sensível ao sentimento da população”, afirmou o ministro.

Segundo Ribeiro, o ministério vai liberar o retorno às aulas somente quando as instituições estiverem confiantes de que as aulas possam ocorrer em segurança em meio à pandemia do novo coronavírus.

Aulas presenciais

Uma portaria do ministério da Educação (MEC) publicada nesta quarta-feira (2) determinou o retorno das atividades letivas presenciais das universidades federais a partir de 4 de janeiro. A partir daí, os recursos tecnológicos e aulas à distância devem ser usados apenas de modo complementar, “em caráter excepcional” para completar a carga horária.

Ainda segundo o MEC, apenas em caso de suspensão das aulas presenciais por determinação dos governos locais é que as universidades poderão voltar a usar os recursos previstos, de ensino à distância.

Federais baianas

O reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), João Carlos Salles, anunciou que a Universidade não seguirá a determinação do Ministério da Educação (MEC) que determina o retorno das atividades presenciais nas “instituição de educação superior integrante do sistema federal de ensino”.

“Nossa Universidade não colocará em risco a vida de nossa comunidade, nem deixará de cumprir, com autonomia, sua missão própria de ensino, pesquisa e extensão. Só nos cabe assim reiterar os termos de nossa Resolução 04/2020, que bem expressa nosso zelo e nossa responsabilidade acadêmica e institucional”, afirmou Salles.

A Assufba, sindicato responsável por representar a  Ufba, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal do Oeste da Bahia (Ufob), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) e Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), classificou a determinação do governo Bolsonaro como “irresponsável, equivocada e perigosa”.

“O Sindicato considera a atitude do governo Bolsonaro irresponsável, equivocada e perigosa. A pandemia causada pelo novo coronavírus ainda não acabou e a vacinação contra a Covid-19 não tem data para começar no Brasil. Além disso, com um quadro crescente, o Brasil acumula, até a tarde desta terça-feira (01/12), 173.862 mortes”, afirmou a Assufba em nota divulgada.

Pandemia no Brasil

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o Brasil contabilizou 6.388.526 casos confirmados e 173.862 óbitos, de acordo com dados do ministério da Saúde. O boletim epidemiológico desta terça-feira (1) registrou 50.909 novos casos e 697 óbitos.

A Bahia registrou 406.189 casos de covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, e 8.923 óbitos em decorrência do vírus. Nesta terça, o boletim da secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) contabilizou 3.118 casos casos e 25 óbitos.

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